Depressão e a desconexão com o mundo natural

A gente vive em um ritmo tão insano que esqueceu completamente como as coisas funcionam fora das telas. Nessa live, eu falo sobre a nossa desconexão com o mundo natural e como essa distância da natureza destrói a nossa saúde mental.

Eu procurei trazer uma perspectiva crítica sobre um dos capítulos do livro Lost Connections, do Johann Hari, e começo provocando: de onde vem essa nossa obsessão pela aceleração?

Por que a gente sente essa pressão constante para ser ultraeficiente? E qual é a real necessidade de tentar acelerar processos que têm o seu próprio tempo natural, como o nosso aprendizado ou o nosso desenvolvimento pessoal (assista o trecho 16:39 – 18:04).

Enjoy the ride

Quando a gente se afasta do ritmo natural, cai direto no perigo da comparação e da busca infinita. E aí eu trago uma reflexão baseada no conselho do escritor Neil Gaiman sobre “aproveitar a jornada” (enjoy the ride). Mesmo pessoas de extremo sucesso podem viver anos inteiros de forma miserável só porque estão sempre obcecadas com a “próxima meta”, em vez de viverem o presente (6:42 – 8:10).

Inclusive, falo sobre essa mesma dinâmica e sobre a minha prática clínica e de comunicação de saúde, temas que também abordo no meu próprio livro (43:34 – 44:00).

Colocar os pés no chão para não cair em romantismos é fundamental. Eu discordo fortemente do que chamo de “naturalismo radical” — essa ideia de que largar tudo e voltar a viver como sociedades primitivas seria a solução mágica para a depressão. Essas sociedades também enfrentavam problemas, privações e sofrimentos bem específicos (11:41 – 13:00).

Volte ao mundo natural

O grande aprendizado que eu quis comentar nessa live é sobre o papel da natureza como um contraponto necessário para a nossa mente. Quando a gente se coloca em contato direto com o mundo natural — seja fazendo uma trilha, entrando no mar ou remando —, somos forçados a desacelerar e aceitar o tempo real das coisas (20:39 – 22:00).

A natureza não tem pressa, e estar nela nos devolve a percepção fundamental de que nós já somos suficientes, nos libertando dessa falsa sensação de urgência permanente.

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