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Dependência Emocional: como se libertar das relações

Autora: Ana Priscila Fernandes - CRP: 01/18545

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Já faz algum tempo que você percebeu que essa relação não é boa pra você. Você já passou por tanta coisa, aguentou tanto desaforo que nem se reconhece mais, se alguém te contasse que um dia você estaria aceitando essa situação, nunca acreditaria.


Essa pessoa que você tanto ama traiu sua confiança, ou é abusiva com você, te desqualifica e não te deixa crescer, ou ela parou de ser carinhosa, cuidar ou se importar.


Alguma dessas opções, ou todas elas juntas, mas o que você não entende é: por que eu não consigo ir embora? Me sinto fraca e impotente quando não consigo cuidar de mim e ficar firme nessas decisões, imagino que você também se sinta assim.


Uma das respostas pra essa pergunta pode ser a dependência emocional, você não consegue imaginar a sua vida sem essa pessoa que você ama, te bate o desespero diante desse grande vazio que ficaria na sua frente se ele não estivesse ali.


Talvez você tenha até tentado ir embora, mas é tão difícil que você acaba voltando. Se esse é o seu caso, temos uma coisa importante pra conversar sobre dependência emocional.


O maior problema dessa busca por independência é que normalmente buscamos a solidão como resposta: preciso aprender a ser feliz sozinho, e somente assim me libertarei.


O problema dessa lógica é que somos seres sociais, precisamos dos afetos das pessoas que nos são importantes: de atenção pra quando queremos conversar, dos ouvidos pra desabafar, dos cuidados pra quando não estamos bem, da companhia para os rolês (bons ou ruins), de reconhecimento quando estamos tentando nos superar, de apoio quando tomamos decisões assustadoras, precisamos de ajuda financeira quando a coisa aperta, de favores quando não conseguimos resolver sozinhos...


Podem parecer coisas pequenas e bobas, e cada pessoa tem sua dor da solidão em lugares específicos, a minha é a de me exercitar, é quase impossível eu conseguir levantar da cama sem companhia pra essas tarefas.


Eu sei que você gosta de ficar só em alguns momentos, e que você é autônomo pra boa parte dessas coisas que eu listei, mas algumas delas são primordiais na nossa vida, e eu entendo o quanto é chato assumir que precisamos das pessoas na nossa vida.


Não queremos incomodar, nem assumir que dependemos das pessoas, nem ninguém jogando na nossa cara os favores que fizeram, melhor resolver só ou ficar na falta... Mas isso não muda a realidade: nossa espécie é social e precisamos dos nossos grupos.


O quanto antes assumirmos isso, melhor pra gente ter mais autonomia na nossa vida.


Voce vai me questionar: tá, mas como eu saber que sou dependente me ajuda a construir minha independência, isso só piora tudo, não? Calma que estamos chegando lá.


Quero focar aqui no fato de que precisamos de pessoaS, no plural. Ao longo da nossa vida transitamos entre depender dos nossos pais, colegas da escola, professores, amigos próximos, parentes, chefes, filhos...


O ideal é que a gente consiga distribuir bem nossas demandas entre essas tantas pessoas que estão a nossa volta, assim não sobrecarregados ninguém e incomodamos menos, lembra que também vai chegar a sua vez de estar na rede de apoio de alguém, então você vai poder retribuir o que te deram, tá tudo bem.


A armadilha aqui é que existem relações na nossa vida, geralmente de namoro ou casamento, que aprendemos que a companhia dessa pessoa é a melhor de todas, e passamos a colocar a maioria, se não todas, as nossas necessidades na responsabilidade dos nossos parceiros.


Fica pesado porque não tem como a pessoa entregar tudo, ela também precisa cuidar dela mesma. Não somos atendidos na nossa demanda, sentimos raiva, frustração, brigamos e acabamos nos afastando de quem amamos.


Por exemplo: você quer assistir um filme no cinema, você poderia chamar qualquer um dos seus amigos ou primos pra ir com você, mas voce só pensa na companhia de mozão. Se mozão não quer ir, você não vai com mais ninguém, sua felicidade fica sob responsabilidade de uma única pessoa na vida, e você para de contar com os outros.


Quanto mais o tempo passa, mais e mais tarefas ficam atrelada a companhia ou aprovação do outro. Isso sobrecarrega a relação e fica péssimo pra você que tá infeliz e pro Mozão, porque você tá triste e brigando com ele. Se toda a sua rotina está atrelada a pessoa, realmente ficará um grande vazio se essa pessoa for embora da sua vida, e é por isso que é tão difícil ir embora, mas também é difícil ficar.


Como eu resolvo então? Bom, o segredo pra tirar o peso da relação, tanto pra terminar quanto pra continuar, é você construir uma vida sua, com mais pessoas te acompanhando nas suas tarefas, compartilhando sua vida com elas, e contando com o cuidado de mais pessoas. Isso vai te fortalecer o suficiente pra conseguir tomar mais decisões melhores na sua relação com Mozão.


Você pode achar essa tarefa difícil por vários motivos: timidez pra fazer amigos, medo de incomodar, o Mozão não consegue deixar você se libertar... Todas essas dificuldades podem ser trabalhadas, mas você precisa se comprometer pra aprender novas habilidades, como conversar, pedir, colocar limites e fazer escolhas voltadas pra melhora da sua vida.


Isso pode fazer sua relação melhorar ou acabar, o importante é que você esteja fortalecida pra conseguir lidar com qualquer um desses cenários, e sua força virá da sua rede de apoio: as pessoas que você consegue manter perto.

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